sábado, 6 de junho de 2015

Novo método de ensino no Instituto de Física



Foto: Divulgação / IFUSP

Publicado em EducaçãoUSP Online Destaque por  em 
Instituto de Física da USP adota novo método de ensino, que inclui o uso de tecnologias e maior participação do aluno em sala de aula
O modelo tradicional de ensino há muito tempo é discutido. Há uma forte tradição das aulas expositivas – principalmente na área de exatas –, que demonstram ser pouco eficientes na retenção do conteúdo. Para mudar esse quadro, o Instituto de Física (IF) da USP adotou um novo método, desenvolvido na Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos. De acordo com esse método, o aluno se prepara previamente em casa, antes de cada aula, e a sala é adaptada para discussões em grupo e para o uso de computadores.
A principal diferença do novo modelo de ensino é que o estudante tem o primeiro contato com o conteúdo em casa, através dos livros e apostilas, e em sala esse conhecimento é sedimentado. O professor pode focar em assuntos mais relevantes e naquilo que os alunos têm mais dificuldade, esclarecendo melhor as dúvidas.
O debate e as discussões em grupo também são estimulados. Um aluno com mais facilidade em determinado assunto se beneficia ao ter que explicá-lo para outra pessoa, porque sistematiza e organiza seus conhecimentos em sala de aula. Já o estudante com mais dificuldades ou timidez se sente mais à vontade para expressar suas dúvidas para um colega de classe do que para o professor.
A estrutura da sala de aula também é repensada, com a inserção da tecnologia. As mesas são adequadas para essa discussão em grupo, com um notebook para cada três alunos, ligado na internet. Há três telas espalhadas pela sala, que reproduzem o que o professor insere no computador. O estudante pode enxergar o conteúdo de qualquer ângulo, sem precisar se virar. Há também uma série de lousas espalhadas pelo ambiente, para que os alunos possam levantar, desenhar e resolver tarefas, para depois serem comentadas pelo professor. Essa dinâmica faz com que eles trabalhem o tempo todo na aula, propondo discussões.

Planejamento


Foto: Reprodução | Aulas no Instituto de Física: salas adaptadas para discussões em grupo
Esse método foi aplicado integralmente em 2015 para as disciplinas de Física I e II do Instituto de Física, mas já era planejado havia três anos. Segundo a professora Carmen Prado, professora do Departamento de Física Geral do IF, a proposta foi estudada com cautela, discutida na Comissão de Graduação e chegou a ir para a Congregação, onde foi aprovada. “Foi uma iniciativa institucional. Não é um modismo, uma aventura ou a importação de algo que veio de algum lugar. Houve um planejamento.” Também participam do projeto os professores José Roberto Oliveira, Marcio Varella, Maria Teresa Lamy, Renato Higa, Vera Henriques e André Vieira.
Em 2013, começou o planejamento e a construção da infraestrutura. Nesse meio tempo, os professores envolvidos com a disciplina participaram de um seminário para se familiarizar com o novo método. Além disso, a Comissão de Graduação patrocinou a viagem do professor André Vieira para a Universidade da Carolina do Norte, a fim de que ele tivesse contato com o criador do método, o professor Robert Beichner, além de assistir a algumas aulas.
“A viagem foi importantíssima para conhecermos melhor os desafios envolvidos na implantação do método e para nos convencermos da viabilidade de implementá-lo no Instituto de Física”, comenta Vieira. “O professor Beichner falou sobre o desafio que é adaptar a própria atitude do docente em sala de aula a uma postura mais ‘socrática’, em que o professor ensina mais através de questionamentos do que tenta repetir para o aluno o conteúdo do livro.”
O desafio que é adaptar a própria atitude do docente em sala de aula a uma postura mais ‘socrática’, em que o professor ensina mais através de questionamentos do que tenta repetir para o aluno o conteúdo do livro.
Já no ano passado, os professores começaram a ministrar aulas híbridas, no ciclo de Física Básica, com uma aula por semana no novo formato e duas no tradicional. Em 2015, a nova metodologia foi aplicada integralmente. Segundo a professora Carmen Prado, o instituto ainda não coletou dados suficientes para comprovar a melhora no desempenho dos alunos, mas a diferença é perceptível. “Fizemos uma enquete para avaliar a eficiência e o resultado foi muito positivo: entre 60% e 70% dos alunos afirmaram que preferem o novo modelo, e a maioria disse que aprendeu mais e melhor assim”, comemora a professora. “Dentre os mais de mil trabalhos produzidos no mundo que avaliaram essa experiência, quase todos apontaram sistematicamente uma melhora importante na aprovação, na diminuição da evasão e também no ganho conceitual, mesmo dos alunos que já iam bem.”
Ainda segundo a professora, há uma intenção clara da comissão organizadora do curso de Bacharelado em Física em expandir o novo método para as disciplinas Física III e Física IV. “Dar uma aula nesse formato não é muito mais difícil do que no modo usual, desde que a infraestrutura e o material didático estejam prontos”, finaliza Carmen.
Thiago Castro/Jornal da USP

Paulo Freire é, ele próprio, um patrimônio incontornável da reflexão pedagógica atual.








A atualidade do pensamento pedagógico transformador do educador brasileiro mais conhecido do mundo.
Para o pensador, a educação critica é a conquista da liberdade.
Por Lisete Arelaro*
A atualidade do pensamento de Paulo Freire vem sendo atestada pela multiplicidade de experiências que se desenvolvem tomando o seu pensamento como referência, em diferentes áreas do conhecimento e em diferentes países do mundo. 
Intelectual chamado de “educador popular” é o professor brasileiro mais conhecido no mundo. Foi criador de uma teoria epistemológica de aprendizagem que grande parte das publicações denomina de Método Paulo Freire, e é também o cidadão brasileiro mais condecorado do País. Foram 39 títulos de Doutor Honoris Causa – 34 em vida e cinco in memoriam – e mais de 150 títulos honoríficos e/ou medalhas. Em 2012, foi declarado Patrono da Educação Brasileira, por meio da Lei Federal nº 12.612, de 13/4/2012.
Paulo Freire escreveu mais de 20 livros como único autor e 13 em coautoria. Seu livro mais importante, Pedagogia do Oprimido, foi traduzido em mais de 20 idiomas e, somente em inglês, já foram publicados mais de 500 mil exemplares. Seu livro Pedagogia da Autonomia – Saberes Necessários à Prática Educativa vendeu mais de 1 milhão de exemplares. Seus livros são comercializados em 80 países, podendo-se afirmar, em razão disso, que ele é o educador brasileiro mais lido no mundo.
Tal projeção confere ao conjunto de suas produções o caráter de uma obra universal, que vem sendo destacada na literatura, nos depoimentos de importantes autores, em diferentes países, e no crescente número de pesquisas que se referenciam na matriz de pensamento de Paulo Freire.
Michael W. Apple, professor da Universidade de Wisconsin – Madison, um dos mais conhecidos especialistas internacionais na área do currículo e na análise das políticas educacionais e um dos principais difusores do pensamento freireano nos Estados Unidos, destaca que as numerosas obras de Freire serviram de referência a várias gerações de trabalho educacional crítico. 
Para António Nóvoa, professor da Universidade de Lisboa, Portugal, autor de diversas obras científicas no domínio da Educação, a vida e a obra de Freire constituem uma referência obrigatória para várias gerações de educadores. As propostas por ele lançadas foram sendo apropriadas por grupos distintos, que as relocalizaram em vários contextos sociais e políticos. “A partir de uma concepção educativa própria, que cruza a teoria social, o compromisso moral e a participação política, Paulo Freire é, ele próprio, um patrimônio incontornável da reflexão pedagógica atual. Sua obra funciona como uma espécie de consciência crítica, que nos põe em guarda contra a despolitização do pensamento educativo e da reflexão pedagógica.”
Na área acadêmica, a última década revela grande interesse e ampliação de trabalhos sobre e a partir do pensamento freireano. Em recente pesquisa realizada no Portal da Capes (SAUL e SILVA, 2008) constatou-se, no período 1987-2007, um total de 804 produções – dissertações e teses – defendidas, que utilizaram o referencial freireano em diferentes áreas do conhecimento. 
No entanto, é importante destacar alguns aspectos de sua teoria epistemológica, para que os que nunca leram Paulo Freire se sintam motivados a fazê-lo. Dentre tantos aspectos, destacamos de sua teoria: a crítica à educação bancária; a educação crítica como prática da liberdade; a defesa da educação como ato dialógico; a necessidade de o professor ser pesquisador e ter rigor científico nas suas aulas; a problematização e a interdisciplinaridade no ato educativo e a noção de ciência aberta às necessidades populares. 
Freire apresenta, em amplo acervo teórico, reflexões que apontam para a importância de uma educação que parta das necessidades populares como prática de liberdade e de emancipação das pessoas, e não de categorias abstratas. Para ele, a educação requer, de forma permanente: a) O cultivo da curiosidade; b) As práticas horizontais mediadas pelo diálogo; c) Os atos de leitura do mundo; d) A problematização desse mundo; e) A ampliação do conhecimento que cada um detém sobre o mundo problematizado; f) A interligação dos conteúdos apreendidos; g) O compartilhamento do mundo conhecido a partir do processo de construção e reconstrução do conhecimento.
Suas obras são críticas, mas cheias de esperança porque o homem e a mulher, como seres inconclusos, sempre podem aprender mais e mudar a sua realidade e a do mundo. Não há destino. Ninguém aprende sozinho, aprende-se em comunhão. E isso se faz nas práxis da ação, reflexão e ação. Por isso, ele nos lembrava: “O mundo não é, ele está sendo”.
É importante registrar, também, a ampliação do número, na última década, de Institutos e Cátedras Paulo Freire em vários países do mundo, entre os quais estão Portugal, Espanha, Itália, Peru, México, Colômbia, Estados Unidos e Brasil. Essas instituições, sediadas ou não em espaços acadêmicos, têm realizado eventos de caráter internacional para o aprofundamento e divulgação do pensamento freireano.
Será que todos esses professores, intelectuais e movimentos sociais são comunistas? 
* Professora titular do Departamento de Administração Escolar e Economia da Educação da Faculdade de Educação da USP.
http://jornalggn.com.br/noticia/a-importancia-de-paulo-freire-por-lisete-arelaro#.VWoQ93o95dg.facebookP   








sexta-feira, 29 de maio de 2015

Cartas à Guiné-Bissau

O educador deve ser uma  INVENTOR e um REINVENTOR constante dos meios e dos caminhos com os quais facilite mais e mais a problematização do objeto a ser desvelado e finalmente apreendido pelos educandos. Sua tarefa não é a de servir-se desses meios e desses caminhos para desnudar, ele mesmo, o objeto e, depois, entregá-lo, paternalisticamente, aos educandos, a quem negasse o esforço da busca, indispensável, ao ato de conhecer (FREIRE, 1980, p. 17)

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Conhecimento proposto por meio do Blog

O “caminhar” da Educação
por  Sandra Maria da Silva
O modelo tradicional de escola (consequentemente, de sociedade tradicional), que estabelece ênfase na mera transmissão de conteúdos (eruditismo), mediante um grande verbalismo, não dá conta do acidente, do diferente. A razão disso é que nesse tipo de ensino/instituição há uma padronização da figura do aluno enquanto alguém “normal”, a saber, com uma capacidade de memória suficiente para absorver os saberes transmitidos pelo professor. (...) Felipe Figueira, 2014)

A educação está passando por uma revolução. Por mais de dois séculos a escola apresentou-se com uma metodologia didática centrada na figura do professor. No entanto, hoje as escolas estão transformando suas propostas didáticas para o desenvolvimento de aprendizagens por meio das Tecnologias de Informação e Comunicação. Em suma, a internet esta cada vez mais inserida nos processos pedagógicos.
            Nos processos, o erudito, esse que prende os passos da educação, se torna livre com o uso dos objetos de aprendizagens digitais. O blog é uma ferramenta que torna rica a educação. Esse modelo de material didático digital propõe a transformação do processo de aprendizagem por um método dialógico, participativo e reflexivo. Esse método quebra a hierarquização de conhecimento entre as pessoas que participa do processo formativo, também possibilita a inclusão de todos os alunos da escola.
O uso do blog na sala de aula envolve os estudantes entorno de um “aprender a fazer e a viver junto” objetivando-se “que alunos isolados ou grupos éticos diversos se integrem por meio da comunicação virtual.” (UCHÔA, 2015, p.34). Desta forma, o blog oportuniza aos interlocutores novas aprendizagens e respeito entre as pessoas  do grupo como um todo por meio da construção coletiva do conhecimento e, também, por permitir desenvolver o pensamento, tornando-as mais sensíveis e criativas.
Assim, conclui-se que o “caminhar” da educação por meio da tecnologia, com o uso da ferramenta metodologia do blog tem revelando como uma experiência educacional e social favorável à mediação para o desenvolvimento psicológico completo do sujeito.
Referência Bibliográfica
FIGUEIRA, Felipe. Como se formar além da (in)formação? In Revista Filosofia Ciência&Vida. Ano VIII, nº 101, dez. 2014, p. 65-71.
UCHÔA, Kátia C. Amaral, Uso educacional da blogosfera: guia de estudos. 1ª Ed. – Lavras: UFLA, 2015.



domingo, 24 de maio de 2015

"O que teremos guardado em nossos baús da infância enterrados em quintais imaginários?" (MARTINS, 2008)

Acho que o quintal onde a gente brincou é maior que a cidade. A gente só descobre isso depois de grande. A gente descobre que o tamanho das coisas há que ser medido pela intimidade que temos com as coisas. Há de ser como acontece com o amor. Assim, as pedrinhas do nosso quintal são sempre maiores do que as outras pedras do mundo. Justo pelo motivo da intimidade. Mas o que eu queria dizer sobre o nosso quintal é outra coisa. Aquilo que a negra Pombada, remanescente dos escravos do Recife, nos contava. Pombada contava aos meninos de Corumbá sobre achadouros. Que eram buracos que os holandeses, na fuga apressada do Brasil, faziam nos seus quintais para esconder suas moedas de ouro, dentro de grandes baús de couro. Os baús ficavam cheios de moedas dentro daqueles buracos. Mas eu estava a pensar em achadouros da infância. Se a gente cavar um buraco ao pé da goiabeira do quintal, lá estará um guri ensaiando subir na goiabeira. Se a gente cavar um buraco ao pé do galinheiro, lá estará um guri tentando agarrar no rabo de uma lagartixa. Sou hoje um caçador de achadouros de infância. (...)Manoel de Barros (2003a)

O que você trouxe dele para a sua vida?